A população mundial, vem, gradativamente, envelhecendo. A literatura mostra que os idosos (indivíduos com mais de 60 anos de idade) representam uma parcela cada vez maior da população.

No Brasil, entre 2005 e 2015, a proporção de idosos passou de 9,8% para 14,3%, segundo informações do IBGE.

O envelhecimento é um processo complexo, irreversível, progressivo e natural, que se caracteriza por modificações morfológicas, psicológicas, funcionais e bioquímicas que influenciam a nutrição e alimentação das pessoas.

Entre as mudanças fisiológicas e metabólicas do organismo, está a diminuição da água corporal, pela perda hídrica intracelular, causando alterações na elasticidade e compressibilidade da pele e modificação na composição corporal em decorrência da taxa metabólica basal, resultando no aumento da gordura corpórea principalmente na região abdominal e depleção do tecido muscular, podendo afetar vários órgãos, como coração, rins e fígado.

Verifica-se que a mudança no consumo alimentar, além de contribuir para o excesso de peso corporal e o aumento expressivo da obesidade, constitui um dos fatores mais importantes para explicar o aumento na prevalência das doenças crônicas não transmissíveis, de grande morbimortalidade como diabetes mellitus, hipertensão arterial, doenças cardiovasculares e câncer, e vem se constituindo como risco para a saúde dos idosos.

As práticas alimentares dos idosos são influenciadas por fatores individuais, culturais e sociais, que implicam diretamente no acesso, na escolha e no consumo dos alimentos.

 

Do ponto de vista econômico, nota-se que a renda contribui em grande magnitude para complicações nutricionais, visto que a limitação financeira dificulta ou impossibilita a prática de uma alimentação saudável que inclua diariamente o consumo de frutas, hortaliças, cereais integrais, leguminosas, bem como o consumo de carne, leite e derivados, que representam um significativo gasto, frente a outras despesas e necessidades familiares.

Observa-se, também, a necessidade de se estimular as interações sociais e incentivar o convívio com parentes, amigos e vizinho no intuito de melhorar a auto-estima, autonomia e independência dos idosos; bem como despertar o interesse por hábitos alimentares mais saudáveis, visto que o estado de ânimo e a integração têm uma conotação social muito importante na alimentação do idoso, refletindo não somente na quantidade de alimentos, expressa diretamente pela aceitação ou recusa alimentar, mas na qualidade da alimentação.

Independente do tipo de determinante do comportamento alimentar (social, psicológico, cultural ou fisiológico), observa-se que a estratégia de intervenção deve ser direcionada a implementação de práticas alimentares saudáveis no intuito de melhorar o estado nutricional destes indivíduos, bem como seu estado geral de saúde.

 

10 PASSOS PARA UMA ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL

  • Fazer de alimentos in natura ou minimamente processados a base da alimentação

Alimentos in natura (como frutas, verduras, legumes, ovos e carnes) ou minimamente processados (como leite, farinha, frutas secas, castanhas) são a base ideal para uma alimentação nutricionalmente balanceada, saborosa, culturalmente apropriada e promotora de um sistema alimentar socialmente e ambientalmente sustentável.

  • Utilizar óleo, gorduras, sal e açúcar em pequenas quantidades ao temperar e cozinhar alimentos e criar preparações culinárias

Ao preparar ou temperar refeições, utilize pequenas quantidades de óleos, gorduras, sal e açúcar. Se o uso for moderado, esses ingredientes culinários contribuem para diversificar e deixar a alimentação mais saborosa sem torná-la nutricionalmente desbalanceada.

  • Limitar o consumo de alimentos processados

Os ingredientes e métodos usados na fabricação de alimentos processados – como conservas de legumes, compota de frutas, pães e queijos – alteram de modo desfavorável a composição nutricional dos alimentos dos quais derivam. Por exemplo, um pepino em conserva não é tão saudável quanto o vegetal in natura.

Em pequenas quantidades, podem ser consumidos como ingredientes de receitas ou parte de refeições, mas não abuse!

  • Evitar o consumo de alimentos ultraprocessados

Alimentos ultraprocessados (como biscoitos recheados, salgadinhos, refrigerantes e macarrão instantâneo) são nutricionalmente desbalanceados. Por conta de sua formulação e apresentação, tendem a ser consumidos em excesso e a substituir alimentos in natura ou minimamente processados. Suas formas de produção, distribuição, comercialização e consumo afetam de modo desfavorável a cultura, a vida social e o meio ambiente.

  • Comer com regularidade e atenção em ambientes apropriados e, sempre que possível, com companhia

Procure fazer suas refeições em horários semelhantes todos os dias e evite “beliscar” nos intervalos entre as refeições. Coma sempre devagar e desfrute o que está comendo, sem se envolver em outra atividade (evite fazer refeições com a TV ligada, por exemplo). Procure comer em locais limpos, confortáveis e tranquilos e onde não haja estímulos para o consumo de quantidades ilimitadas de alimento.

  • Fazer compras em locais que ofertem variedades de alimentos in natura ou minimamente processados

Procure fazer compras de alimentos em mercados, feiras livres e feiras de produtores e outros locais que comercializam variedades de alimentos in natura ou minimamente processados. Prefira legumes, verduras e frutas da estação e cultivados localmente. Sempre que possível, adquira alimentos orgânicos e de base agroecológica, de preferência diretamente dos produtores.

  • Desenvolver, exercitar e partilhar habilidades culinárias

Se você tem habilidades culinárias, procure desenvolvê-las e partilhá-las, principalmente com crianças e jovens, sem distinção de gênero. Se você não sabe cozinhar – e isso vale para homens e mulheres –, procure aprender. Para isso, converse com as pessoas que já sabem, peça receitas a familiares, amigos e colegas, leia livros, consulte a internet, eventualmente faça cursos e… comece a cozinhar!

  • Planejar o uso do tempo para dar a alimentação o espaço que ela merece

Planeje as compras de alimentos, organize a despensa doméstica e defina com antecedência o cardápio da semana. Divida com os membros de sua família a responsabilidade por todas as atividades domésticas relacionadas ao preparo de refeições. Faça da preparação de refeições e do ato de comer momentos privilegiados de convivência e prazer. Reavalie como você tem usado o seu tempo e identifique quais atividades poderiam ceder espaço para a alimentação.

  • Dar preferência, quando fora de casa, a locais que servem refeições feitas na hora

No dia a dia, procure locais que servem refeições feitas na hora e a preço justo. Restaurantes de comida a quilo podem ser boas opções, assim como refeitórios que servem comida caseira em escolas ou no local de trabalho. Evite redes de fast-food.

  • Ser crítico quanto a informações, orientações, e mensagens sobre alimentação veiculadas em propagandas e comerciais

Lembre-se de que a função essencial da publicidade é aumentar a venda de produtos, e não informar ou, menos ainda, educar as pessoas. Avalie com crítica o que você lê, vê e ouve sobre alimentação em propagandas comerciais e estimule outras pessoas, particularmente crianças e jovens, a fazerem o mesmo.

 

REFERÊNCIAS:

Barbosa, Mariana. Alimentação no ciclo de vida: alimentação na pessoa idosa. Colecção e-books APN, núm. 31, Out 2013.

 

de Oliveira Marques, Ana Paula; Kruze Grande de Arruda, Ilma; Carréra Campos Leal,Márcia; Gomes do Espírito Santo, Antônio Carlos. Envelhecimento, obesidade e consumo alimentar em idosos. Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia, vol. 10, núm. 2, 2007, pp. 231-242Universidade do Estado do Rio de JaneiroRio de Janeiro, Brasil.

 

Fazzio, Débora Mesquita Guimarães. Envelhecimento e qualidade de vida – uma abordagem nutricional e alimentar. Revisa. 2012; 1(1): 76-88 – Jan/Jun 2012.

 

 

Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral; Colégio Brasileiro de Cirurgiões; Sociedade Brasileira de Clínica Médica; Associação Brasileira de Nutrologia. Terapia nutricional para pacientes na senescência (geriatria). Set 2011.

 

10 passos para uma alimentação saudável. Disponível em: <https://www.idec.org.br/consultas/dicas-e-direitos/10-passos-para-uma-alimentaco-saudavel> Acesso em 07 de maio de 2018.

 

 

Suellen Pecinalli

Nutricionista

CRN4-06101736